Angola Participa na 3ª Cimeira Global de Acesso Aberto Diamante, na Índia
Angola, por intermédio do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), participou na 3.ª Cimeira Global de Acesso Aberto Diamante (3rd Global Summit on Diamond Open Access), que decorreu de 2 a 6 de Fevereiro de 2026, em Bengaluru, Índia, sob o lema “Collaboration for Equitable Digital Infrastructures and Knowledge Commons in Agriculture and the Broader Scientific Research System” (Colaboração para infra-estruturas digitais equitativas e bens comuns do conhecimento na agricultura e no sistema mais amplo de investigação científica).
O evento constituiu um fórum internacional de alto nível, dedicado à reflexão estratégica sobre modelos equitativos, sustentáveis e não comerciais de comunicação científica, bem como sobre infra-estruturas digitais públicas de suporte à investigação e à inovação.
A delegação do MESCTI foi chefiada pela Secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Alice de Ceita e Almeida, e integrou o Director Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, Amílcar da Silva, tendo-se feito acompanhar pela Directora do seu Gabinete, Maria Neto, pelo Consultor Júdice Cubumga e pela técnica Elizene Serôdio.
O Acesso Aberto Diamante promove um modelo comunitário de publicação científica, sem encargos para autores ou leitores, reconhecendo o conhecimento científico como bem público global, em consonância com a Recomendação da UNESCO sobre Ciência Aberta, a Budapest Open Access Initiative, o Plano de Acção para o Acesso Aberto Diamante e o Global Digital Compact. A edição de Bengaluru deu continuidade às cimeiras anteriores, realizadas no México (2023) e na África do Sul (2024), aprofundando os princípios de equidade, justiça social, multilinguismo e biodiversidade na comunicação científica.
A edição de 2026 teve como principais resultados o lançamento do Bengaluru Roadmap para o Acesso Aberto Diamante, bem como a definição de planos de acção regionais e globais, centrados na governação colaborativa, no financiamento sustentável, no fortalecimento das infra-estruturas digitais públicas, na avaliação responsável da investigação e na inclusão de regiões sub-representadas. Estes resultados convergem com a visão do PND 2023–2027, que preconiza uma Angola mais integrada nos fluxos globais do conhecimento, com instituições científicas mais fortes, abertas, internacionalizadas e com maior impacto da ciência e da inovação no desenvolvimento económico e social do País.
Das acções desenvolvidas em Angola, em especial desde a 1.ª Cimeira de Toluca (México), destacam-se a reestruturação do Repositório Angolano de Acesso Aberto, a criação da Rede Angolana de Revistas Científicas, a realização de um workshop nacional focado no fortalecimento do Acesso Aberto ao conhecimento, bem como a capacitação de editores, bibliotecários, estudantes, docentes, investigadores científicos e entidades governamentais, evidenciando o compromisso do País com o Acesso Aberto Diamante.
Como próximos passos, Angola propõe uma agenda nacional estruturada em três eixos: (i) reforço da coordenação institucional, através do Grupo Técnico Nacional sobre Ciência Aberta; (ii) fortalecimento das infra-estruturas de comunicação científica de acesso aberto (revistas, repositório nacional e repositórios institucionais); e (iii) reforço das parcerias regionais e internacionais, com especial atenção aos países africanos de língua portuguesa, visando promover a interoperabilidade entre sistemas.
No decurso da 3.ª Cimeira Global de Acesso Aberto Diamante, a Secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação proferiu um discurso na sessão de abertura, participou nas mesas-redondas, global e regional, subordinadas ao tema “Políticas de convergência e necessidades de capacitação”, bem como na plenária de encerramento dedicada aos “Compromissos e próximos passos” para o Acesso Aberto Diamante.
A presença da equipa do MESCTI em Bengaluru constituiu igualmente uma oportunidade para a participação em reuniões paralelas de alto nível, com destaque para o encontro com membros da direcção da UNESCO, no qual foram abordadas questões relacionadas com a implementação da Cátedra de “Ciência Aberta, Digitalização Responsável e Impacto Social” na Universidade Óscar Ribas. A reunião contou com o patrocínio de membros da direcção daquela instituição de ensino superior, presentes na Cimeira, designadamente o Magnífico Reitor, Eurico Gungula, e a Vice-Reitora para a Área Científica, Maria de Fátima, sinal claro do fortalecimento do modelo de Acesso Aberto Diamante em Angola.
Testemunharam este encontro o Magnífico Reitor da Academia de Ciências Sociais e Tecnologia (ACITE), Pedro Bengue, o Chefe do Departamento de Investigação Científica da ACITE, Manuel Gonçalves, e o Editor da Revista Científica Sagrada Esperança, Emanuel Catumbela, reflectindo o elevado nível político-institucional da participação de Angola nesta Cimeira Global.
No âmbito do programa científico, registou-se ainda a participação do Director Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, Amílcar da Silva, no painel subordinado ao tema “Apoiar a construção e a sustentabilidade de infra-estruturas de Acesso Aberto Diamante”, contribuindo de forma qualificada para o debate internacional sobre factores-chave para o sucesso destas infra-estruturas.
A participação do MESCTI na 3.ª Cimeira Global de Acesso Aberto Diamante foi acompanhada pela 1.ª Secretária da Embaixada de Angola na Índia, Dra. Carla Gomes.