• WORKSHOP DEBATE RECOMENDAÇÕES DE POLÍTICAS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL EM ANGOLA


    O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), realiza, de 30 de Junho a 1 de Julho de 2026, no Hotel Palmeiras, em Talatona, Luanda, um Workshop de Debate das Recomendações de Políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável em Angola.

    A iniciativa visa apreciar e debater as recomendações de políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) propostas para o País, com vista à definição de prioridades estratégicas ajustadas à realidade nacional, capazes de impulsionar a diversificação da economia, o desenvolvimento do capital humano e o crescimento económico e social de Angola no período de 2026 a 2036.

    Na sessão de abertura, o Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Vicente Lopes Ferreira, sublinhou a importância do workshop para a construção da futura Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

    "Estamos aqui para analisar criticamente, debater, priorizar e consolidar as recomendações de políticas que deverão servir de base à nova Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Esperamos, por isso, um debate aberto, construtivo e orientado para resultados. Um debate que reconheça os progressos já alcançados, mas que também identifique, com realismo, as fragilidades que ainda condicionam o pleno funcionamento do nosso Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Precisamos de uma política que estimule a produção científica de qualidade, mas que vá além da realização de eventos académicos. A sua implementação deve traduzir-se no aumento das publicações científicas de qualidade, na produção de patentes e em impactos significativos no desenvolvimento económico e social do nosso País", afirmou.

    O Ministro defendeu igualmente uma política pública que promova uma investigação científica orientada para os desafios concretos de Angola e que seja capaz de transformar conhecimento em produtos, processos, serviços, empresas, empregos qualificados e soluções para as comunidades.Sublinhou, igualmente, a necessidade de reforçar a articulação entre as instituições de ensino superior, as instituições de investigação científica e desenvolvimento, o sector empresarial, os departamentos ministeriais e os demais actores públicos e privados, salientando que a ciência não pode permanecer confinada aos laboratórios e às instituições académicas, devendo aproximar-se dos sectores produtivos, das empresas, das comunidades e dos grandes desafios nacionais.

    Defendeu ainda que a inovação não deve limitar-se à adopção de tecnologias desenvolvidas no exterior, mas antes reforçar a capacidade nacional de absorver, adaptar, desenvolver, criar e transferir tecnologias, valorizando o conhecimento produzido em Angola e incentivando o surgimento de soluções concebidas por investigadores, empreendedores e empresas nacionais.

    Segundo o Ministro Albano Ferreira, a futura política deverá igualmente atribuir especial atenção à formação e valorização do capital humano, considerando que nenhum sistema científico e tecnológico se consolida sem investigadores, técnicos, engenheiros, docentes e gestores qualificados, valorizados e integrados em instituições capazes de proporcionar condições adequadas ao desenvolvimento das suas actividades.

    Neste contexto, defendeu o reforço da formação nas áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM), a promoção da cultura científica desde os primeiros níveis de ensino, o desenvolvimento da carreira do investigador científico, o incentivo à participação das mulheres e dos jovens na ciência e a criação de condições para atrair e integrar as competências da diáspora angolana.

    O Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação destacou ainda que a política em preparação deverá estabelecer prioridades claras, mecanismos sustentáveis de financiamento, responsabilidades institucionais bem definidas e indicadores que permitam acompanhar e avaliar os resultados alcançados.

    "Esperamos que os trabalhos dos grupos temáticos permitam identificar os eixos estratégicos, as acções prioritárias, os actores responsáveis, os mecanismos de financiamento e os indicadores que deverão integrar a nova Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. A principal saída deste workshop deverá ser a consolidação técnica dos elementos estruturantes da nova Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a serem sistematizados e submetidos às instâncias competentes para apreciação e aprovação", afirmou.

    O Ministro salientou ainda que "a ciência, a tecnologia e a inovação não são fins em si mesmas. São instrumentos para melhorar a vida das populações, aumentar a produtividade, reduzir as desigualdades, promover a soberania tecnológica e construir um País mais próspero, inclusivo e sustentável".

    Concluiu manifestando o desejo de que o workshop resulte num compromisso colectivo com a transformação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e com a construção do futuro de Angola através do conhecimento.

    Por sua vez, o Representante Residente Adjunto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Angola, Gabriel Dava, salientou que «não podemos falar de ciência, tecnologia e inovação sem pensar na juventude como o maior activo estratégico do País. Investir em educação, investigação aplicada, competências digitais, empreendedorismo e inovação é investir no futuro de Angola».

    Acrescentou que o fortalecimento do ecossistema nacional de inovação exige uma forte articulação entre o Governo, as universidades, os centros de investigação, o sector privado, as instituições financeiras e os parceiros de desenvolvimento. Defendeu, igualmente, a necessidade de mecanismos de financiamento adequados, de uma governação eficaz e de políticas públicas que promovam a inclusão dos jovens e das mulheres nos processos de inovação.

    Neste contexto, Gabriel Dava saudou a liderança do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) na promoção de processos participativos para a definição das prioridades nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) para o período 2026–2036, com vista ao reforço do papel da CTI enquanto motor da transformação económica e social de Angola.

    O Representante Residente Adjunto do PNUD reafirmou, ainda, o compromisso da organização em apoiar esta visão, através de iniciativas que promovem a ligação entre o conhecimento, a inovação, as oportunidades para a juventude e a transformação social.

    Como exemplo deste compromisso, destacou o AgriTech Timbuktoo Angola, uma iniciativa do Governo de Angola, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que visa posicionar o País como um pólo de inovação agrícola sustentável, tecnologias verdes e empreendedorismo rural.

    Integrado na plataforma pan-africana Timbuktoo, o centro está a ser desenvolvido como um hub regional de referência, com ambição de alcance continental. A iniciativa impulsiona um ecossistema moderno de inovação agrícola, promovendo o empreendedorismo jovem, a adopção de ferramentas digitais, incluindo a inteligência artificial, bem como a transformação das cadeias de valor, procurando converter desafios em oportunidades e ideias em soluções de elevado impacto.

    No final da sua intervenção, Gabriel Dava manifestou confiança nos resultados do encontro, afirmando que «estamos confiantes de que as reflexões e recomendações que emergirão deste workshop contribuirão para uma agenda e uma política de Ciência, Tecnologia e Inovação ambiciosa, realista e orientada para resultados, capaz de responder às aspirações dos angolanos e aos desafios do futuro».

    O responsável assegurou, por fim, que o PNUD continuará a apoiar os esforços de Angola para fortalecer o seu ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo parcerias, reforçando capacidades e criando oportunidades que permitam transformar as prioridades hoje identificadas em resultados concretos.

    Ao longo dos dois dias de trabalhos, os participantes irão apreciar as recomendações de políticas de CTI, debater propostas sectoriais e formular contributos para a implementação de medidas destinadas a reforçar a investigação científica, a inovação, a governação e o financiamento do sector.

    O primeiro dia ficou marcado pela sessão de abertura, pelas intervenções do Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e do Representante Residente do PNUD em Angola, seguindo-se a apresentação das recomendações de políticas de CTI. Posteriormente, os participantes foram distribuídos por quatro grupos temáticos, designadamente: Educação para a Ciência, Tecnologia e Inovação; Políticas de Investigação Científica Fundamental e Aplicada para o Desenvolvimento Sustentável; Integração da Formação Técnico-Profissional com a Ciência, Tecnologia e Inovação e Promoção do Empreendedorismo; e Políticas de Desenvolvimento Tecnológico, Industrial e de Fomento do Empreendedorismo de Base Tecnológica e da Inovação.

    Durante os trabalhos de grupo, os participantes analisam prioridades estratégicas, definem responsabilidades institucionais e identificam actores-chave, discutindo igualmente mecanismos de financiamento das acções propostas e modelos de reforço da gestão e da governação da Ciência, Tecnologia e Inovação.

    No segundo dia, os debates incidirão sobre a análise das políticas sectoriais de CTI aplicadas aos diferentes sectores produtivos, prosseguindo os trabalhos dos grupos temáticos. As conclusões serão apresentadas em sessão plenária, permitindo consolidar os contributos recolhidos e definir as principais recomendações resultantes do workshop.

    Os trabalhos desenvolvem-se através de grupos temáticos especializados, abrangendo domínios como as políticas de educação para a Ciência, Tecnologia e Inovação, investigação científica, desenvolvimento sustentável, inovação empresarial, transformação digital, governação, financiamento e outras áreas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico de Angola.

    O workshop constitui mais uma etapa do processo de construção participativa de políticas públicas para o sector da Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo o diálogo entre o Governo, a comunidade científica, o sector produtivo e os parceiros de desenvolvimento, com vista ao reforço da capacidade nacional de investigação, inovação e desenvolvimento sustentável.

    Participaram na cerimónia de abertura o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo; a Ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto dos Santos; o Representante Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Gabriel Dava; o Secretário de Estado para o Ensino Superior, Eugénio Alves da Silva; a Secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Alice de Ceita e Almeida; Directores Nacionais de diversos departamentos ministeriais e instituições públicas; gestores de instituições de ensino superior; representantes de instituições de investigação e desenvolvimento; académicos e demais convidados.