O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), no âmbito do Projecto de Desenvolvimento do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (TEST), realizou, na manhã desta segunda-feira, 11 de Maio, numa das salas de eventos do Hotel de Convenções de Talatona (HCTA), o Roadshow Nacional de Apresentação da Rede Nacional de Ensino e Investigação de Angola (AngoREN) e do Roteiro Executivo de Transformação Digital do Ensino Superior.
O evento visou divulgar o Projecto AngoREN junto da classe Executiva do Estado, da comunidade académica e científica, das empresas de telecomunicações e tecnologias, bem como da sociedade em geral. Com esta iniciativa, pretende-se reforçar a relevância estratégica do projecto para o desenvolvimento nacional, promovendo, simultaneamente, a integração de Angola no ecossistema global de investigação e educação.
O discurso de abertura oficial do Roadshow Nacional de Apresentação do Projecto AngoREN e do Roteiro Executivo de Transformação Digital do Ensino Superior foi proferido pela Secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Alice de Ceita e Almeida, em representação do Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Vicente Lopes Ferreira.
Na sua intervenção, a Secretária de Estado afirmou que o mundo vive uma profunda transformação impulsionada pelas tecnologias digitais e sublinhou que, actualmente, a conectividade académica constitui uma infra-estrutura estratégica para o desenvolvimento científico, tecnológico e económico das nações.
Segundo Alice de Ceita e Almeida, “as instituições de ensino superior que não estiverem interligadas aos ecossistemas digitais globais enfrentarão maiores dificuldades para produzir investigação competitiva, colaborar internacionalmente e responder às exigências da economia do conhecimento”.
Neste contexto, o Governo de Angola, através do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, tem vindo a implementar iniciativas estruturantes orientadas para a modernização do sector, com destaque para o Projecto TEST, financiado com o apoio do Banco Mundial e da Parceria Global para a Educação.
A Secretária de Estado referiu ainda que o Projecto TEST constitui “um importante instrumento de modernização do ensino superior angolano”.
“Temos hoje uma oportunidade histórica para construir uma nova geração de infra-estruturas académicas digitais”, afirmou Alice de Ceita e Almeida. Acrescentou igualmente que “é neste enquadramento que o Governo de Angola avança na implementação da Rede Nacional de Ensino e Investigação de Angola (AngoREN), um projecto estruturante alinhado com o Plano de Desenvolvimento Nacional e com a Agenda de Transição Digital da Administração Pública 2023-2027”.
Segundo a Secretária de Estado, a AngoREN representa uma plataforma nacional de colaboração científica, integração académica e promoção da investigação, da inovação e do ensino digital, constituindo, acima de tudo, “uma rede de oportunidades para as futuras gerações de Angola”.
Por último, destacou a importância da participação das empresas de telecomunicações e tecnologia presentes no Roadshow, sublinhando que o envolvimento do mercado será fundamental para assegurar a sustentabilidade, a qualidade técnica e a expansão da conectividade académica no País.
A responsável afirmou igualmente que a transformação digital “não se resume à tecnologia”, significando antes “melhorar a qualidade do ensino, democratizar o acesso ao conhecimento, reforçar a investigação e preparar as futuras gerações para os desafios do século XXI”. Acrescentou ainda que “o futuro do ensino superior será inevitavelmente mais digital, integrado e colaborativo”.
Por sua vez, o discurso de boas-vindas foi proferido pelo Gestor Adjunto do Projecto TEST, Roger Mafua, que começou por dar as boas-vindas aos participantes neste acto de apresentação da AngoREN, descrita como “uma infra-estrutura digital estruturante que permitirá interligar as instituições de ensino superior, centros de investigação e instituições públicas, reforçando a conectividade académica e promovendo o acesso a recursos científicos, factor decisivo para a melhoria da qualidade do ensino, o incremento da investigação científica e a integração de Angola nas redes internacionais de conhecimento”.
Roger Mafua aproveitou igualmente a ocasião para destacar que o Projecto TEST — Projecto de Desenvolvimento do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia — constitui “uma iniciativa estratégica do Governo de Angola, co-financiada pelo Banco Mundial, através do BIRD, com 150 milhões de dólares norte-americanos, e pela Parceria Global para a Educação (GPE), com 50 milhões de dólares”.
Segundo explicou, o projecto visa fortalecer a qualidade e a relevância do ensino superior, especialmente nas áreas STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), promover a empregabilidade e incentivar a ligação entre as universidades e o sector produtivo, em alinhamento com o Plano de Desenvolvimento Nacional e com o Plano Sectorial do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação 2023-2027.
O evento contou com a apresentação de três painéis. O primeiro, subordinado ao tema “Visão Nacional da Transformação Digital”, foi apresentado pelo engenheiro António Paraíso, consultor do Projecto TEST. Durante a sua abordagem, foram apresentados o diagnóstico de prontidão digital das instituições públicas de ensino superior, a comparação com referências internacionais e o Roteiro Executivo de Transformação Digital.
Neste mesmo painel foi igualmente apresentado um caso internacional sobre a experiência de universidade digitalizada, pela Universidade Aberta de Portugal, através da Magnífica Reitora, Professora Doutora Carla Padrel de Oliveira.
O segundo painel incidiu sobre a apresentação do Projecto AngoREN, descrito como a infra-estrutura digital estruturante que permitirá interligar instituições de ensino superior, centros de investigação e instituições públicas, reforçando a conectividade académica e promovendo o acesso a recursos científicos. A apresentação esteve a cargo do engenheiro Olindo Matos, membro da Comissão Instaladora da AngoREN.
O terceiro painel, dedicado às experiências internacionais em redes académicas e de investigação, contou com diversas intervenções, nomeadamente sobre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) do Brasil, apresentada pelo engenheiro António Nunes, director de serviços da RNP; a experiência da Rede Nacional de Ensino e Investigação da Zâmbia (ZamREN), apresentada por Stein Mkandawire, CEO da ZamREN; a visão global da Rede Nacional de Transporte de Electricidade de Angola; a malha de fibra óptica da RNP como backbone estratégico, apresentada pelo engenheiro Eduardo Grizendi, director de operações da RNP; e o EtherNET como suporte dos sistemas académicos e repositórios abertos, apresentado pelo engenheiro Basiliyos Betru, director de operações.
Foi ainda apresentada uma comunicação subordinada ao tema “Governança de uma EREN e o caso da RNP”, pela Doutora Pilar de Almeida, gerente de contratualização da RNP.
Seguiu-se uma mesa-redonda subordinada ao tema “Experiências, Desafios e Caminhos para Angola”, moderada pelo Doutor Ngombo Armando, tendo o evento encerrado com uma sessão de engajamento do mercado.
Em declarações à imprensa, o engenheiro Olindo Matos, da Comissão Instaladora da AngoREN, explicou que, numa primeira fase, serão implementados três PoPs (Pontos de Presença) a nível nacional: dois em Luanda e um na província de Benguela.
Segundo explicou, o principal PoP ficará instalado no Centro Nacional de Investigação Científica (CNIC), onde se encontra o Parque Tecnológico Nacional, conectando-se aos outros dois PoPs, localizados no Campus Universitário da Universidade Agostinho Neto, no Camama, e no Instituto Superior Politécnico de Benguela, no município da Catumbela.
O PoP principal do CNIC assegurará a conectividade das instituições de ensino superior localizadas na baixa de Luanda, incluindo instituições das províncias do Bengo, Zaire e Cabinda. O PoP do Campus Universitário da Universidade Agostinho Neto irá conectar instituições de ensino superior e investigação das províncias do Cuanza-Norte, Malanje, Lunda-Sul, Lunda-Norte e Moxico.
Já o PoP de Benguela garantirá a conectividade das províncias do centro e sul do País, funcionando em regime de redundância, permitindo que, caso um dos pontos apresente falhas, os restantes assegurem a continuidade dos serviços.
Olindo Matos explicou ainda que os PoPs funcionam como mini centros de dados destinados a garantir a continuidade da conectividade académica e científica.
Nesta primeira fase, beneficiarão do projecto instituições públicas de ensino superior das províncias de Luanda, Uíge, Malanje, Huambo, Benguela, Huíla e Namibe, incluindo a Universidade Agostinho Neto, Universidade de Luanda, ISCED de Luanda, Universidade Kimpa Vita, Universidade Rainha Njinga a Mbande, Universidade José Eduardo dos Santos, Universidade Katyavala Bwila, Instituto Superior Politécnico de Benguela, Universidade Mandume Ya Ndemufayo, ISCED da Huíla e Universidade do Namibe.
Participaram neste Roadshow Nacional de Apresentação da Rede Nacional de Ensino e Investigação de Angola (AngoREN) e do Roteiro Executivo de Transformação Digital a Secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Alice de Ceita e Almeida, em representação do Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação; o Secretário de Estado para o Ensino Superior, Eugénio Adolfo Alves da Silva; Membros do Executivo; a Magnífica Reitora da Universidade Aberta de Portugal, Carla Padrel de Oliveira; Magníficos Reitores das Instituições de Ensino Superior; Directores Nacionais e Equiparados do MESCTI; Presidentes dos Conselhos de Administração e representantes de Empresas de Telecomunicações e Tecnologias; parceiros internacionais da RNP-Brasil, ZamREN-Zâmbia, EtherNET-Etiópia e Banco Mundial; consultores do Projecto TEST; bem como membros da Comissão Instaladora da AngoREN.