• MESCTI Apresenta AngoREN de Transformação Digital do Ensino Superior em Benguela


    O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), no âmbito do Projecto de Desenvolvimento do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (TEST), realizou, na manhã desta quarta-feira, 13 de Maio, numa das salas de conferências do Hotel Flow, na cidade de Ombaka, província de Benguela, o Roadshow Nacional de Apresentação da Rede Nacional de Ensino e Investigação de Angola (AngoREN) e do Roteiro Executivo de Transformação Digital do Ensino Superior.

    O evento visou divulgar o Projecto AngoREN junto da classe executiva do Estado, da comunidade académica e científica, das empresas de telecomunicações e tecnologias, bem como da sociedade em geral. Com esta iniciativa, pretende-se reforçar a relevância estratégica do projecto para o desenvolvimento nacional, promovendo, simultaneamente, a integração de Angola no ecossistema global de investigação e educação.

    O discurso de abertura oficial do Roadshow Nacional de Apresentação do Projecto AngoREN e do Roteiro Executivo de Transformação Digital do Ensino Superior, na província de Benguela, foi proferido pelo Director Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, Amílcar Bernardo Tomé da Silva, em representação do Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Vicente Lopes Ferreira.

    Na sua intervenção, o Director Nacional para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Amílcar da Silva, afirmou:

    “É com elevado e profundo sentido de responsabilidade que, em representação do Ministro, intervenho neste evento para manifestar o compromisso deste Departamento Ministerial com a melhoria dos processos e mecanismos inerentes à qualidade do ensino, investigação, ciência, tecnologia e inovação nas Instituições de Ensino Superior (IES) e Instituições de Investigação e Desenvolvimento (I&D) do País.”

    Segundo o Director Nacional, este Roadshow Nacional de Apresentação do Projecto AngoREN e do Roteiro Executivo de Transformação Digital do Ensino Superior reveste-se de grande importância pelos resultados que se esperam da sua implementação.

    “O mundo atravessa uma transformação impulsionada pelas tecnologias digitais”, afirmou o Director Nacional para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Amílcar da Silva.

    Sublinhou que a AngoREN não é apenas uma rede técnica, mas representa uma plataforma nacional de colaboração científica, de partilha de conhecimento e de integração das instituições angolanas nas redes académicas internacionais. Acrescentou que a rede facilitará o ensino digital, a investigação colaborativa, o alojamento e o acesso a repositórios científicos, os serviços académicos avançados e a inovação.

    Ao mesmo tempo, permitirá aproximar as instituições de ensino e investigação das melhores práticas internacionais e reduzir as assimetrias territoriais no acesso ao conhecimento e à ciência. Para além da conectividade, a AngoREN será igualmente uma rede de oportunidades para as futuras gerações.

    Segundo Amílcar da Silva, a partilha de experiências internacionais neste evento confirma que as Redes Nacionais de Ensino e Investigação podem transformar profundamente os sistemas de ensino superior, daí a necessidade de aprender com a experiência dos parceiros.

    Destacou igualmente a participação das empresas de telecomunicações e tecnologia provedoras de redes de conectividade para o sucesso deste projecto.

    Para o Director Nacional, a transformação digital do ensino superior exige uma forte articulação entre o Governo, as IES, as II&D, os operadores de telecomunicações, o sector energético, os parceiros tecnológicos e a comunidade científica. O envolvimento do mercado é fundamental para assegurar a sustentabilidade, a inovação, a qualidade técnica e a expansão da conectividade.

    Por último, afirmou que a transformação digital não se resume à tecnologia. Significa melhorar a qualidade do ensino, democratizar o acesso ao conhecimento, reforçar a investigação, aumentar a eficiência institucional e preparar as futuras gerações para os desafios do século XXI.

    “Estou convencido de que este evento produzirá resultados concretos e contribuirá decisivamente para acelerar a implementação da AngoREN e a consequente transformação digital do ensino superior.”

    Por sua vez, o discurso de boas-vindas foi proferido pelo Gestor Adjunto do Projecto TEST, Roger Mafua, que começou por saudar os participantes neste acto de apresentação da AngoREN, descrita como:

    “Uma infra-estrutura digital estruturante que permitirá interligar as instituições de ensino superior, centros de investigação e instituições públicas, reforçando a conectividade académica e promovendo o acesso a recursos científicos, factor decisivo para a melhoria da qualidade do ensino, o incremento da investigação científica e a integração de Angola nas redes internacionais de conhecimento.”

    Roger Mafua aproveitou igualmente a ocasião para destacar que o Projecto TEST — Projecto de Desenvolvimento do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia — constitui:

    “Uma iniciativa estratégica do Governo de Angola, co-financiada pelo Banco Mundial, através do BIRD, com 150 milhões de dólares norte-americanos, e pela Parceria Global para a Educação (GPE), com 50 milhões de dólares.”

    Segundo explicou, o projecto visa fortalecer a qualidade e a relevância do ensino superior, especialmente nas áreas STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), promover a empregabilidade e incentivar a ligação entre as universidades e o sector produtivo, em alinhamento com o Plano de Desenvolvimento Nacional e com o Plano Sectorial do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação 2023-2027.

    O evento contou com a apresentação de três painéis. O primeiro, subordinado ao tema “Visão Nacional da Transformação Digital”, foi apresentado pelo engenheiro António Paraíso, consultor do Projecto TEST. Durante a sua abordagem, foram apresentados o diagnóstico de prontidão digital das instituições públicas de ensino superior, a comparação com referências internacionais e o Roteiro Executivo de Transformação Digital.

    O segundo painel incidiu sobre a apresentação do Projecto AngoREN, descrito como a infra-estrutura digital estruturante que permitirá interligar instituições de ensino superior, centros de investigação e instituições públicas, reforçando a conectividade académica e promovendo o acesso a recursos científicos. A apresentação esteve a cargo do engenheiro Olindo Matos, membro da Comissão Instaladora da AngoREN.

    O terceiro painel, dedicado às experiências internacionais em redes académicas e de investigação, contou com diversas intervenções, nomeadamente sobre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) do Brasil, apresentada pelo engenheiro António Nunes, director de serviços da RNP; a experiência da Rede Nacional de Ensino e Investigação da Zâmbia (ZamREN), apresentada por Stein Mkandawire, CEO da ZamREN; a visão global da Rede Nacional de Transporte de Electricidade de Angola; a malha de fibra óptica da RNP como backbone estratégico, apresentada pelo engenheiro Eduardo Grizendi, director de operações da RNP; e o EtherNET como suporte dos sistemas académicos e repositórios abertos, apresentado pelo engenheiro Basiliyos Betru, director de operações.

    Foi ainda apresentada uma comunicação subordinada ao tema “Governança de uma EREN e o Caso da RNP”, pela Doutora Pilar de Almeida, gerente de contratualização da RNP.

    Seguiu-se uma mesa-redonda subordinada ao tema “Experiências, Desafios e Caminhos para Angola”, moderada pelo Doutor Ngombo Armando, tendo o evento encerrado com uma sessão de engajamento do mercado.

    Segundo o engenheiro Olindo Matos, da Comissão Instaladora da AngoREN, na sua apresentação explicou que, numa primeira fase, serão implementados três PoPs (Pontos de Presença) a nível nacional: dois em Luanda e um na província de Benguela.

    Segundo explicou, o principal PoP ficará instalado no Centro Nacional de Investigação Científica (CNIC), onde se encontra o Parque Tecnológico Nacional, conectando-se aos outros dois PoPs, localizados no Campus Universitário da Universidade Agostinho Neto, no Camama, e no Instituto Superior Politécnico de Benguela, no município da Catumbela.

    O PoP principal do CNIC assegurará a conectividade das instituições de ensino superior localizadas na baixa de Luanda, incluindo instituições das províncias do Bengo, Zaire e Cabinda. O PoP do Campus Universitário da Universidade Agostinho Neto irá conectar instituições de ensino superior e investigação das províncias do Cuanza-Norte, Malanje, Lunda-Sul, Lunda-Norte e Moxico.

    Já o PoP de Benguela garantirá a conectividade das províncias do centro e sul do País, funcionando em regime de redundância, permitindo que, caso um dos pontos apresente falhas, os restantes assegurem a continuidade dos serviços.
    Olindo Matos explicou ainda que os PoPs funcionam como mini-centros de dados destinados a garantir a continuidade da conectividade académica e científica.

    Nesta primeira fase de implementação do projecto beneficiarão 11 instituições públicas de ensino superior, entre as quais: na província de Luanda, a Universidade Agostinho Neto (UAN), a Universidade de Luanda (UniLuanda) e o Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED); na província do Uíge, a Universidade Kimpa Vita; na província de Benguela, a Universidade Katyavala Bwila (UKB) e o Instituto Superior de Ciências da Educação de Benguela (ISCED-Benguela); na província da Huíla, a Universidade Mandume Ya Ndemufayo (UMN) e o Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla); na província do Namibe, a Universidade do Namibe (UNINBE); na província de Malanje, a Universidade Rainha Njinga a Mbande (URMN); e, na província do Huambo, a Universidade José Eduardo dos Santos (UJES).

    Participaram neste Roadshow Nacional de Apresentação da Rede Nacional de Ensino e Investigação de Angola (AngoREN) e do Roteiro Executivo de Transformação Digital o Director Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, Amílcar da Silva, em representação do Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação; membros do Governo da Província de Benguela, com particular realce para o Director Provincial da Educação, Adelino Lopes; o Magnífico Reitor da Universidade Katyavala Bwila, José Calelessa; o Presidente do Conselho de Administração do Porto do Lobito, Celso Rosas; representantes das empresas de telecomunicações e tecnologias de informação; Magníficos Reitores das Instituições de Ensino Superior; Directores Nacionais e equiparados do MESCTI; parceiros internacionais da RNP-Brasil, ZamREN-Zâmbia, EtherNET-Etiópia e Banco Mundial; consultores do Projecto TEST; bem como membros da Comissão Instaladora da AngoREN.