• LANÇAMENTO OFICIAL DA CÁTEDRA UNESCO DE CIÊNCIA ABERTA, DIGITALIZAÇÃO RESPONSÁVEL E IMPACTO SOCIAL


    O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), em co-organização com a Universidade Óscar Ribas (UÓR), no âmbito do Programa UNITWIN/Cátedras UNESCO e em alinhamento com a estratégia de valorização do impacto social da investigação científica em Angola, realizou, na tarde desta segunda-feira, 8 de Junho de 2026, nas instalações da Universidade Óscar Ribas, a Cerimónia de Lançamento da Cátedra UNESCO de Ciência Aberta, Digitalização Responsável e Impacto Social.

    A iniciativa visou formalizar a criação da referida Cátedra UNESCO, promover o alinhamento com as políticas públicas do sector, fomentar redes de cooperação académica e científica e sensibilizar a comunidade académica, os decisores políticos e a sociedade civil para a importância do acesso aberto ao conhecimento e da valorização da ciência ao serviço do desenvolvimento sustentável.

    A cerimónia foi presidida pelo Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Vicente Lopes Ferreira, em representação da Ministra de Estado para a Área Social, Maria do Rosário Bragança. Na sua intervenção, destacou que a ciência aberta representa um novo paradigma de partilha do conhecimento científico, assente nos princípios da acessibilidade, transparência e democratização. Segundo afirmou, este modelo estimula a colaboração entre investigadores e instituições, permitindo que os resultados da investigação científica sejam utilizados de forma mais célere na resolução dos desafios que se colocam nos mais variados domínios do conhecimento.

    O Ministro salientou ainda que, ao associar-se à digitalização responsável, a ciência aberta contribui para que a utilização das tecnologias digitais seja ética, segura e inclusiva, reduzindo as desigualdades no acesso à ciência. Acrescentou que a inteligência artificial constitui actualmente uma ferramenta poderosa para acelerar o acesso a dados e ao conhecimento, devendo a sua utilização respeitar os princípios da responsabilidade e da propriedade intelectual.

    “O impacto social é o objectivo final da conjugação destes dois factores: o acesso aberto ao conhecimento científico e a digitalização responsável. Queremos que a ciência e a tecnologia estejam ao serviço da educação, da saúde, da agricultura, do desenvolvimento industrial, da sustentabilidade ambiental, da juventude e das comunidades”, afirmou o Ministro Albano Ferreira.

    Durante a sua intervenção, referiu igualmente que o Executivo tem vindo a desenvolver diversas acções complementares alinhadas com as políticas da UNESCO nestes domínios. Entre elas, destacou a criação do Repositório Angolano de Acesso Aberto, que entrará em breve em pleno funcionamento, permitindo o depósito da produção científica nacional e a sua integração nas redes internacionais do conhecimento. Esta plataforma contribuirá para aumentar a visibilidade das revistas científicas nacionais, algumas das quais já integram consórcios internacionais de promoção da ciência aberta.

    O Ministro sublinhou ainda que a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (FUNDECIT), instituição tutelada pelo MESCTI, lançou recentemente dois editais destinados ao apoio à edição de livros técnicos e científicos e de revistas científicas. Referiu igualmente o projecto da Rede Nacional de Educação e Ensino (AngoREN), que assegurará a conectividade das Instituições de Ensino Superior e de Investigação e Desenvolvimento de Angola às redes académicas internacionais, promovendo a integração dos diversos repositórios científicos das comunidades académicas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, de outros países africanos, bem como de universidades e redes académicas da Europa e da América Latina, com especial destaque para as instituições ligadas ao Programa UNITWIN da UNESCO.

    Segundo Albano Ferreira, a criação da Cátedra contribuirá para reduzir as desigualdades no acesso à informação e à tecnologia, aumentar a visibilidade internacional da produção científica angolana e apoiar a formulação de políticas públicas e estratégias nacionais de ciência aberta e digitalização responsável.

    “O lançamento e início de actividades desta Cátedra permitirão a realização de cursos e workshops destinados à capacitação de investigadores e estudantes em práticas de acesso aberto e gestão de dados científicos; a criação de espaços de inovação tecnológica orientados para a digitalização responsável, com enfoque na preservação cultural e inclusão social; o fortalecimento da cooperação com outras cátedras UNESCO e universidades estrangeiras para a troca de conhecimentos e desenvolvimento conjunto de projectos; e a implementação de iniciativas de extensão universitária que levarão conteúdos e soluções digitais às comunidades locais, através de bibliotecas digitais e plataformas de ensino abertas, gerando impacto comunitário na educação em todos os níveis”, sublinhou o Ministro.

    No final da sua intervenção, o Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação afirmou que Angola está preparada para participar plenamente na revolução científica e tecnológica global, sem perder de vista os valores da responsabilidade, da ética e da justiça social, manifestando confiança no sucesso da Cátedra e no seu contributo para a educação, a ciência e a cultura a nível mundial.

    Por sua vez, o Coordenador da Cátedra, Eurico Gungula, explicou à imprensa que uma Cátedra UNESCO consiste numa equipa liderada por uma instituição de ensino superior ou de investigação que estabelece uma parceria com a UNESCO para promover o conhecimento e a prática numa área de interesse comum.

    Segundo o Coordenador, as actividades desenvolvidas pelas Cátedras UNESCO visam fomentar o debate intelectual público, a reflexão ética, a definição de normas e boas práticas, a investigação, o progresso científico, o acesso aberto ao conhecimento e à informação, bem como a educação assente num espírito de cooperação internacional.

    Eurico Gungula destacou ainda que esta iniciativa está fortemente alicerçada na necessidade de alinhar as actividades de investigação e desenvolvimento com os objectivos socioeconómicos nacionais. Salientou que a afirmação de Angola no cenário global da inovação exige uma transformação intelectual sustentada na ciência aberta, na gestão da propriedade intelectual, na gestão de dados de investigação e no reforço do protagonismo das instituições de ensino superior e de investigação.

    A criação da Cátedra UNESCO de Ciência Aberta, Digitalização Responsável e Impacto Social constitui um marco relevante para o reforço da cooperação científica nacional e internacional, contribuindo para a promoção da produção, disseminação e utilização do conhecimento científico em benefício da sociedade e do desenvolvimento do País.

    Participaram igualmente na cerimónia o Secretário de Estado para o Ensino Primário, Pacheco Francisco, em representação da Ministra da Educação, Erika Aires; a Secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade, em representação do Ministro da Cultura, Filipe Silva de Pina Zau; a Embaixadora da República de Angola junto da UNESCO, Maria Cândida Pereira Teixeira; o Secretário de Estado para o Ensino Superior, Eugénio Adolfo Alves da Silva; o Coordenador da Cátedra UNESCO de Ciência Aberta, Digitalização Responsável e Impacto Social, Eurico Gungula; o Reitor da Universidade Óscar Ribas, André Pedro Neto; o Presidente do Grupo Pitabel, Abel Segunda; quadros seniores do MESCTI; representantes da Administração Municipal de Talatona; investigadores de Instituições de Ensino Superior e Centros de Investigação Científica; membros da equipa da Cátedra; docentes; estudantes; e demais convidados.

    Participaram igualmente, por via virtual, através da plataforma Zoom, a Secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Alice de Ceita e Almeida, e o Director da Divisão de Inclusão Digital, Políticas e Transformação Digital da UNESCO, Guilherme Canela Souza Godoi.